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15.01.2019

DICAS DE HOMILIA - 2º Domingo do Tempo Comum

O Vinho Novo - O Nome Novo - O Canto Novo

 

(Is 62,1-5 / Sl 95 / 1Cor 12,4-11 / Jo 2,1-11)

 

O Vinho Novo - O Nome Novo - O Canto Novo

 

Depois de concluído o período do Natal com a Festa do Batismo do Senhor, o Tempo Comum é retomado, partindo agora do seu Segundo Domingo. Neste, Jesus é a figura central, pois é Ele que, numa festa de casamento, traz o Vinho Novo, sinal dos tempos messiânicos. Unidos a Ele, todos os cristãos recebem um Nome Novo, isto é, são reconhecidos pelo caminho que trilham, seguindo o Mestre como seus discípulos missionários. Chamados a cantar, com a palavra e, sobretudo, com a vida um Canto Novo, manifestando e propagando pelo mundo inteiro a Boa Nova do Evangelho de Jesus Cristo.

        

O Evangelho do Domingo traz o texto das bodas de Caná que é a conclusão, do que os estudiosos costumam chamar de Semana Inaugural, essa tem início em Jo 1,19 e termina em Jo 2,12. Existe uma sucessão de dias nesses versículos, algo que tem início com o testemunho de João Batista à respeito de Jesus e segue até à manifestação de sua glória nas Bodas Caná (1,19-28; Jo 1,29; Jo 1,29-34; 1,35-39; Jo 1,40-42; 1,43-51; Jo 2).  

        

O Quarto Evangelho, conhecido como o Evangelho de João é marcado pelos sinais de Jesus, que indicam a sua divindade e convidam à profissão de Fé. Nas Bodas de Caná, para a qual a Mãe de Jesus e seus discípulos foram convidados, acontece o princípio dos Sinais, na transformação da água no Vinho Novo. O Sinal do Vinho Novo é a manifestação da glória de Cristo, que serve para a confirmação da Fé da comunidade dos discípulos missionários.

        

O vinho é, em toda a Sagrada Escritura, um elemento que indica a presença do Messias, revelando o desejo de Deus de concluir e sempre confirmar com o seu povo a Aliança. No caso do texto do Evangelho, a falta do vinho é indicada por duas vezes, o que deve provocar uma interrogação nos que leem o texto. A palavra vinho, por sua vez, é mencionada cinco vezes, revelando a importância dada ao mesmo nos casamentos e, sobretudo, dando ênfase ao Sinal a ser realizado por Jesus. Sendo assim, a falta do vinho revela duas coisas muito importantes, a primeira diz respeito à Mãe de Jesus, já a segunda diz respeito à identidade de Jesus como Messias.  

        

A Mãe de Jesus é quem indica a falta do vinho, dirigindo-se ao seu Filho, para relatar o fato, o que provoca uma resposta aparentemente rude, ou até imprópria na relação entre a Mãe e Filho. Porém, a palavra de Jesus quer indicar uma mudança substancial na figura de sua Mãe para toda a comunidade dos discípulos, para toda a Igreja. Quando Jesus responde, numa melhor tradução "O que há entre mim e ti Mulher?", Ele não está desrespeitando a sua Mãe, chamando-a de mulher, mas alargando o papel de sua maternidade, algo que será revelado plenamente na cruz. A Mãe de Jesus, naquele momento é indicada como uma mulher na comunidade dos discípulos, alguém que deseja fazer a vontade de Deus e ensinar outros a fazer o mesmo, ela não é somente a Mãe de Jesus, mas ganha outro lugar. Na cruz, na hora para a qual Jesus veio, quando Ele está para entregar o Espírito, vê diante de si a sua Mãe e o discípulo que Ele amava, Ele diz à sua Mãe: "Mulher eis aí teu filho, filho eis aí a tua Mãe" (Jo 19,25-27).  Sendo assim, a Mãe de Jesus se torna Mãe da comunidade dos discípulos, Mãe de todos os que desejam fazer na vida a vontade do Pai. É importante ressaltar ainda, que a palavra da Mãe dirigida aos que serviam: "façam tudo o que Ele vos disser", deve ser compreendida na direção da obediência que o Senhor esperava de Israel. Ressaltando o fato de que a Mãe de Jesus desejava viver a partir de tal relação de obediência e fidelidade, convidando aos seus discípulos a fazerem o mesmo.

          

O vinho na festa de casamento ficava sob a responsabilidade do noivo, era ele quem deveria trazer o melhor vinho para a celebração das núpcias. No que diz respeito ao significado do vinho dentro do universo bíblico, como mencionado antes, ele é sinal dos tempos messiânicos, ou seja, da presença do Messias esperado. Sendo assim, ao realizar o sinal, Jesus indica o início dos tempos messiânicos, isto é, a espera pelo Messias acabou, pois é Ele que pode trazer o vinho novo, da sua presença e da sua graça. Sendo assim, o grande sinal não está na transformação da água em vinho, mas, no significado profundo do que ela indica. Pois, a comunidade dos discípulos estava diante do Messias prometido, Aquele que traria o vinho novo da Nova Aliança, a alegria de Sua presença, algo que seria selado no sangue derramado na cruz.

        

A Nova Aliança selada no sangue de Cristo derramado na cruz, inaugura um tempo novo, marcado pela presença do Salvador na vida de todos os que a Ele seguem e aderem pela profissão de Fé. No sinal realizado nas Bodas de Caná, Maria e os discípulos de Jesus viram a sua glória e creram Nele, seguindo-O até a sua morte e ressurreição. De fato, todos os que aderem ao Senhor e a Ele seguem recebem um Nome Novo, sinal do caminho e da vida nova que abraçaram. No início do Cristianismo, os que seguiam Cristo eram conhecidos como homens e mulheres do Caminho. Somente em Antioquia foi que os que seguiam o Caminho foram denominados cristãos, ou seja, seguidores de Jesus Cristo.

        

Na Primeira Leitura, o autor afirma que o Senhor daria um nome novo aos seus eleitos, a todos os que o Senhor acolheu junto a Si e acompanhou. Para os que seguem Cristo esse Nome Novo é mais do que uma indicação de quem são, é, sobretudo, uma afirmação de sua vocação e missão. Em primeiro lugar, todos os que abraçaram a Fé em Cristo são chamados Filhos e Filhas de Deus, pois se unem a Ele que a todos conduz ao Pai. A filiação divina a vocação é um chamado à santidade, à comunhão com o Pai, dirigido a todos aqueles que aderem a Cristo pela fé, algo referente a todos os cristãos. É desejo do Pai que os seus Filhos e Filhas, vivam em profunda comunhão com Ele e com os irmãos e irmãs, algo que é amadurecido no caminho do seguimento de Jesus Cristo. Pois, todos os cristãos, Filhos e Filhas de Deus, são chamados a serem discípulos missionários de Cristo, vocacionados à santidade de vida, a acolherem a sua vocação batismal e a vivê-la intensamente. Sendo assim, o discipulado missionário marca com a novidade de Deus a vida de todos os que abraçam a Fé em Cristo e Dele recebem, cotidianamente, o Vinho Novo de sua graça. São Filhos e Filhas de Deus, renovados pela unção do Espírito Santo e formados como verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo, pela Palavra e Pelo Pão da Vida.

        

Um Canto Novo de júbilo e alegria nasce no coração dos que recebem a graça da presença de Cristo, o portador do Vinho Novo e são formados como seus discípulos missionários. Esse Canto Novo, nas palavras do salmista, não é somente a expressão de um louvor e gratidão, mas, torna-se uma oportunidade de realizar a missão de anunciar as maravilhas do Senhor. Pois, a razão da grande alegria do povo de Israel é a presença do Senhor, mas, sobretudo, a realização de suas obras maravilhosas em favor do povo sofrido. Sendo assim, entoar um Canto novo, cheio de esperança e júbilo, é fonte de alegria para os filhos de Israel, mas também, um compromisso de Fé. Pois, o grande louvor que o Senhor deseja de seus filhos e filhas, dos discípulos missionários de Jesus Cristo é o rompimento da injustiça, a promoção da vida dos pequenos e pobres, a proclamação da misericórdia de Deus para todos. Desse modo, os que recebem do Senhor o Vinho Novo, formados na escola do discipulado como homens e mulheres renovados pelo Espírito, são chamados a cantar com a Palavra e, acima de tudo com as atitudes de vida, o Canto Novo da proclamação do Reino de Deus.

        

Que a Celebração do Segundo Domingo do Tempo Comum desperte em todos, o desejo de se abrirem à graça de Cristo e de serem renovados pelo Vinho Novo de sua presença. A fim de que, renovados assumam com alegria e disponibilidade a sua vocação, como homens e mulheres novos, discípulos missionários de Jesus Cristo. Capazes de entoar com a Palavra e com a Vida, vivida segundo os valores do Evangelho, um Canto Novo e um louvor, próprio dos que seguem Cristo e vivem o Reinado de Deus.

 

Pe Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

15/01/2019 - maura Regina Buson

Olá Padre. Suas homilias são ótimas, sou ministra da palavra e assim como outros esses textos estão nos ajudando bastante. Obrigado


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