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24.08.2018

A todo o Povo de Deus

Em carta, Papa Francisco fala sobre os abusos na Igreja

 

O Papa Francisco escreveu esta semana uma "carta a todo o Povo de Deus" para falar da “vergonha” provocada pelos casos de abusos cometidos na Pensilvânia (EUA). Ele pede oração e jejum, além de uma atuação firme das autoridades competentes.

 

O Pontífice se inspirou nas palavras do Apóstolo Paulo para divulgar, na última segunda-feira (20), a carta destinada não só aos católicos, mas todo os filhos de Deus, acerca de denúncias de abusos cometidos por parte de clérigos e pessoas consagradas.“Um membro sofre? Todos os outros membros sofrem com ele” (1 Co 12, 26). Este crime, afirma o Papa, “gera profundas feridas de dor e impotência” nas vítimas, em suas famílias e na inteira comunidade de fiéis e não fiéis.

 

“A dor das vítimas e das suas famílias é também a nossa dor, por isso é preciso reafirmar mais uma vez o nosso compromisso em garantir a proteção de menores e de adultos em situações de vulnerabilidade.”

 

 

Pensilvânia

 

Francisco cita de modo especial o relatório divulgado nos dias passados sobre os casos cometidos no Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

 

“Sentimos vergonha quando percebemos que o nosso estilo de vida contradisse e contradiz aquilo que proclamamos com a nossa voz”, escreve o Papa. Ele fala ainda de negligência, abandono e arrependimento e cita as palavras do então Cardeal Ratzinger quando, na Via-Sacra de 2005, denunciou a “sujeira” que há na Igreja.

 

Para o Pontífice, a dimensão e a gravidade dos acontecimentos obrigam a assumir esse fato de maneira global e comunitária.

 

 

Solidariedade

 

Não é suficiente tomar conhecimento do que aconteceu, mas como Povo de Deus, “somos desafiados a assumir a dor de nossos irmãos feridos na sua carne e no seu espírito. Se no passado a omissão pôde tornar-se uma forma de resposta, hoje queremos que seja a solidariedade”.

 

O Papa explica o que entende por solidariedade: proteger e resgatar as vítimas da sua dor; denunciar tudo o que possa comprometer a integridade de qualquer pessoa; lutar contra todas as formas de corrupção, especialmente a espiritual.

 

“O chamado de Paulo para sofrer com quem sofre é o melhor antídoto contra qualquer tentativa de continuar reproduzindo entre nós as palavras de Caim: “Sou, porventura, o guardião do meu irmão?” (Gn 4, 9).

 

 

Reconhecimento aos esforços

 

O Santo Padre reconhece “o esforço e o trabalho que são feitos em diferentes partes do mundo para garantir e gerar as mediações necessárias que proporcionem segurança e protejam a integridade de crianças e de adultos em situação de vulnerabilidade, bem como a implementação da ‘tolerância zero’ e de modos de prestar contas por parte de todos aqueles que realizem ou acobertem esses crimes”.

 

O Papa também reconhece ainda o atraso em aplicar essas medidas e sanções tão necessárias, mas está confiante de que elas ajudarão a garantir uma maior cultura do cuidado no presente e no futuro.

 

 

Oração e penitência

 

O Pontífice faz também um convite a todos os fiéis: oração e penitência.

 

“Convido todo o Povo Santo fiel de Deus ao exercício penitencial da oração e do jejum, seguindo o mandato do Senhor, que desperte a nossa consciência, a nossa solidariedade e o compromisso com uma cultura do cuidado e o ‘nunca mais’ a qualquer tipo e forma de abuso.”

 

Na raiz desses problemas, Francisco observa um modo anômalo de entender a autoridade na Igreja: clericalismo.

 

Favorecido tanto pelos próprios sacerdotes como pelos leigos, o clericalismo “gera uma ruptura no corpo eclesial que beneficia e ajuda a perpetuar muitos dos males que denunciamos hoje. Dizer não ao abuso, é dizer energicamente não a qualquer forma de clericalismo”.

 

Além da oração e do jejum, o Papa chama em causa o sentimento de pertença: “Essa consciência de nos sentirmos parte de um povo e de uma história comum nos permitirá reconhecer nossos pecados e erros do passado com uma abertura penitencial capaz de se deixar renovar a partir de dentro”.

 

 

Atrocidades

 

Por fim, o Papa Francisco usa a palavra “atrocidade”.

 

“É imperativo que nós, como Igreja, possamos reconhecer e condenar, com dor e vergonha, as atrocidades cometidas por pessoas consagradas, clérigos, e inclusive por todos aqueles que tinham a missão de assistir e cuidar dos mais vulneráveis. Peçamos perdão pelos pecados, nossos e dos outros. ”

 

Para ler na íntegra a carta do Papa Francisco, clique aqui.

 

 

Com informações do Vatican News

 

 

 

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