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“OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE”: QUANDO TODOS PERDEMOS

Por Seminarista Paulo Junior Camilette

 

 

“Vim, vi, venci!”, essa famosa frase é atribuída a Júlio César, que, desafiado por seus inimigos, mesmo com poucas chances de vitória, decide ir ao campo de batalha, contra toda esperança, mesmo em menor número, ele teve, não a sorte, mas a habilidade e as estratégias para vencer. Lembro-me desse episódio do passado, pois ao abrir minha janela, ao acessar a internet, ao ligar minha televisão ou meu rádio, o que me vem à mente é um grande campo de batalha onde quase todos estão mortos ou sendo mortos por seus irmãos.

 

Em um mundo onde estar certo é o desejo de todos, perde-se a capacidade do diálogo, já não podemos parar para escutar, já não há comunicação, não conseguimos entender às necessidades dos outros. O importante é sair de uma conversa com o sentimento de vitória, de podermos dizer que as nossas certezas venceram. Quando isso acontece, estamos a um passo de nos perder, de perder nossa humanidade.

 

É o discurso, a palavra, a nossa capacidade de nos comunicarmos que nos faz sermos quem somos. Quando tratamos o outro como aquele que deve ser destruído por pensar diferente de nós, ter uma religião diferente, convicções diferentes, uma etnia diferente, o projeto de salvação do cristianismo encontra-se em risco de fracassar. É sempre o Amor que deve ser o lugar onde o diálogo acontece, não o amor romântico, cheio de fantasias, mas o Amor que se compromete com a vida do outro.

 

Vejo essas guerras destruírem as pessoas de dentro para fora, como um câncer que destrói o interior de homens e mulheres. No mundo, sabemos que existem situações de guerra real, pessoas que buscam defender o território de seu país contra aqueles que querem conquistar e oprimir. Mas essa guerra que falamos é a não aceitação daqueles e daquelas que pensam diferente de mim.

 

Uma vez Tertuliano pode dizer ao Imperador romano, “veja como se amam”, hoje Tertuliano choraria, choram os homens e mulheres que doaram suas vidas em favor da vida dos outros. Choramos nós, pois não nos amamos, nos odiamos. Tantos filósofos meditaram sobre a pergunta a respeito da vida que vale à pena ser vivida, a respeito da melhor forma de vivermos em sociedade, sobre a importância de cada homem e mulher, para que hoje, neste momento da nossa história, nos odiemos.

 

Não foi com essa esperança que Cristo chegou à cruz. Sua esperança era que nos cuidássemos, seu desejo, o desejo do coração do Pai, é que o Amor vença. Porém, o ódio conquista mais corações todos os dias, odeio meu amigo porque ele torce para um time diferente, odeio meu vizinho, pois sua religião é diferente, odeio meus parentes, pois seu partido político é diferente, odeio meu padre porque ele não diz o que eu quero escutar, odeio meu bispo, pois ele não pensa como eu, e todos que eu odeio eu os mato em meu coração.

 

Eu não rezo para um deus que sacrifica seus filhos e filhas no altar do ódio, eu não rezo para um deus que faz com que as pessoas se maltratem, xinguem, façam fofocas, eu não rezo para um deus que divide as pessoas entre aquelas que são tão boas que não precisam de mais nada, as “pessoas de bem”, e aquelas que são tão más, que são um caso perdido.

 

O Deus para quem eu rezo me resgata do meu egoísmo, me faz abrir as portas da minha vida, me ensina a escutar e receber quem é diferente, a entender que as pessoas não precisam pensar como eu, ser como eu, ter as minhas convicções. O Deus para quem eu rezo ressuscitou, é o Deus dos vivos, está vivo, pois o Amor lhe tirou da morte e o trouxe à vida. Ele mesmo é a Vida, quem o ama, só pode fazê-lo de forma verdadeira, se ama seu próximo, o outro.

 

Estamos perdendo a guerra, o ódio está ganhando, estamos perdendo nossa humanidade, abrindo mão de ser gente, somos todos gladiadores que só pensam em destruir o inimigo, sermos vencedores com a destruição dos nossos irmãos. Esse tipo de vitória é conhecida como “vitória de Pirro”, ou aquele tipo de vitória em que o ganho não vale à pena.

 

Prefiro perder, prefiro ser esse tipo de fracassado que não quer mostrar ao mundo que está certo, que vive reconhecendo suas misérias, que bate no peito e se diz pecador, que tem vergonha de olhar para o céu, pois sabe dos seus pecados, prefiro, mesmo nas minhas dificuldades, mesmo sem saber como, com meus erros e limitações, tentar amar mais uma vez, ainda que isso doa. Se eu odiasse os outros teria vergonha de olhar para cruz, pois a marca do coração de Jesus é sempre o Amor.

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