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AMADOS E CHAMADOS POR DEUS

Por Pe. Alci Monteiro Dias

 

 

Como Igreja a serviço do Reino de Deus, dedicamos o mês de agosto às diversas vocações existentes e, assim, relembramos, refletimos e renovamos nosso compromisso de servir, que recebemos desde o nosso Batismo. A cada ano a Igreja aborda um tema que nos ajuda a pensarmos no chamado que Deus nos faz e como estamos vivendo, respondendo (ou não) à nossa vocação.

           

Neste ano de 2020 o tema tratado não é uma novidade, mas nos leva a aprofundar nosso sim como resposta ao Amor de Deus por nós. O tema lembra que somos “Amados e chamados por Deus”. É importante notar que a palavra “amados” vem antes de “chamados”, isto é, antes de pedir para fazer alguma coisa, antes de nos dar alguns dons para realizar algo, Deus nos oferece o seu amor. Ele faz isso por iniciativa própria, com total gratuidade, simplesmente porque nos ama e quer o nosso bem. A primeira Carta de João nos fala desse agir gratuito de Deus, quando diz: “não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou e nos enviou o seu Filho” (4,10). Deus já tem em sua essência o amor, e é João também que dá uma definição (mesmo sabendo que as palavras não expressam todo Mistério divino) de quem é Deus. Ele escreve que “DEUS É AMOR” (4,8.16),  a fonte do amor está n’Ele.

           

Deus se manifestou de muitos modos na história da salvação, mas foi na pessoa de Jesus Cristo, Filho amado e encarnado no ventre de Maria, que Deus revelou plenamente seu amor pela humanidade. Jesus Cristo, como vocacionado do Pai, assumiu sua missão com fidelidade, passou na terra fazendo o bem, doou sua vida na Cruz por amor e ressuscitou para nos salvar. Jesus se colocou como servo e “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Como servo, simplesmente por amor, quis mostrar aos discípulos o caminho para que eles também pudessem aprender a servir e, com isso, darem continuidade à obra de salvação. Em Jo 13,14-15, é o próprio Jesus quem diz: “se, portanto, Eu, o Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, também vós o façais”. Pensando na formação de seus discípulos, Jesus chamou a si o grupo dos doze para que ficasse com Ele”, aprendesse d’Ele seu jeito de ser, o jeito de amar e servir, e a partir de então eles foram enviados para anunciar (Mc 3,13-19).

           

O mês vocacional reforça essa característica do Deus Amor quando propõe o lema: “Es precioso aos meus olhos. Eu te amo”. Encontramos essa linda passagem no livro de Isaías, 43,1-5. Esse texto diz que Deus nos resgatou, chamou-nos pelo nome, que nós somos d’Ele, e que não precisamos temer porque Ele está sempre conosco. É, portanto, um amor infinito e incondicional. São Paulo expressa, como louvor e gratidão pela salvação recebida em Jesus, esse imenso amor, quando diz na carta aos Romanos: “depois disto, que nos resta a dizer? Se Deus está conosco, quem estará contra nós? Quem não poupou o seu próprio Filho e o entregou por todos nós, como não haverá de nos agraciar em tudo junto com Ele? ... Quem nos separará do amor de Cristo...” (8,31-35).

           

Esse amor acolhido e sentido em nosso coração, em nossa vida, nos leva a pensar, como se interrogava Santo Inácio: “o que fiz, o que faço, o que farei por Cristo?”. Qual a resposta já dei, tenho dado ou vou dar ao amor que Deus tem por mim, por todos nós? Nesse sentido, a vocação não se resume a aptidão que tenho para fazer algo, mas é, antes de tudo, uma resposta àquele que nos amou primeiro. Assim, o Deus que ama é também aquele que chama pois deseja contar com cada um (a) para trabalhar na construção do seu projeto de salvação. Ele mesmo cuida de nos capacitar concedendo sua graça e os diversos dons e talentos para os colocarmos a serviço. Dessa maneira, ninguém fica de fora desse chamado, pois cada um na sua condição é investido com os bens divinos para colocar-se a serviço da messe do Senhor.

           

Nesse sentido, cada semana (ou domingo) ao longo do mês de agosto rezamos e refletimos sobre os diversos ministérios e serviços inspirados pelo Espírito Santo para a missão da Igreja, que foi enviada pelo próprio Cristo para anunciar o Evangelho. Assim, refletiremos sobre os ministérios ordenados (diáconos, presbíteros e bispos) no primeiro domingo; sobre a vocação familiar (destacando-se o dia dos pais) no segundo domingo; sobre a vida consagrada (masculina e feminina) no terceiro domingo; e sobre a vocação dos leigos e leigas (destacando o dia do/a catequista) no quarto domingo. O chamado que Deus nos faz é para servir com amor e gratuidade. Na medida que damos essa resposta nos colocamos à disposição do Senhor com nossos dons e cooperamos na construção de um mundo mais humano, fraterno e solidário. Com nosso serviço, o mais simples que seja, ajudamos a Igreja cumprir sua missão e ser no mundo um sinal do amor de Deus.

           

Somos chamados para servir sentindo e espalhando o amor de Deus em nosso coração, em nossa família, nossa comunidade, ambiente de trabalho, na convivência diária e em toda a sociedade em que vivemos. Que este mês nos proporcione a renovação da graça batismal, nos ajude a rezar, refletir e responder com alegria, coragem e entusiasmo ao chamado que Deus nos faz como Igreja de vocacionados. Que nossa Senhora, Mãe de Jesus e nossa Mãe, que disse sim prontamente, nos ajude a cada dia a dizer: eis aqui teus servos e tuas servas, Senhor! Diante do vosso amor pelos seres humanos desejo sempre responder-te: “faça-se em mim segundo a tua palavra (vontade)”.

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