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VIDA LITÚRGICA E CELEBRATIVA EM MEIO A PANDEMIA: LUZES E DESAFIOS

Por Seminarista Taylor Menini Ferrari

 

 

Os cristãos católicos são habituados a vivenciar na Santa Missa os sagrados mistérios celebrados em suas respectivas Comunidades Eclesiais. E diante desta pandemia do novo coronavírus, veem-se obrigados a buscarem um cuidado maior e fervoroso com a própria vida e o bem comum, através do distanciamento social. Isto faz com que a Santa Missa seja frequentada por um número pequeno de pessoas que, com sua fé e boa vontade, colocam-se a disposição para levar a muitos a vivência e contemplação do mistério através de diversas plataformas de mídia social. Tanto os que rezam em casa, quanto os que celebram no templo, devem ter a consciência de uma comunhão tão forte e ao mesmo tempo capaz de superar as barreiras que o distanciamento físico os impõe.

 

Mas, com esta barreira física entre a celebração no templo e a celebração acompanhada pelas mídias, surgem grandes desafios que acometem os dois lados, mesmo que unidos numa mesma intenção. De um lado os fiéis que rezam em casa, têm como desafio a consciência de que tomam parte no mistério celebrado na Palavra e no Altar, e ao mesmo tempo, de envolverem-se com profundidade na mesma forma que seria se estivessem presentes fisicamente, junto à família eclesial. E do outro lado, o desafio daqueles que celebram o mistério na própria Igreja, incluindo os sacerdotes, que acostumados à vivência fraterna com o povo de sua paróquia, se deparam com a ausência física dos fiéis. Estes, por sua vez, têm a rica missão de celebrar o mistério de Nosso Senhor e ao mesmo tempo, privados da participação física de todos os fiéis na comunidade, têm a missão de motivar àqueles que acompanham de forma online a viverem o mesmo mistério. Desta forma, em especial os que têm a missão de presidir e os que têm a missão de transmitir a Santa Missa, devem observar e respeitar os cuidados necessários que o atual contexto exige para que o mistério celebrado, de forma online, permaneça preservado em seu rico significado.

 

A Santa Missa é a plenitude da vida cristã, “É no mistério de Cristo que a Igreja proclama e celebra em sua liturgia, para que os fiéis dele vivam e dele deem testemunho no mundo. A liturgia, com efeito, pela qual, sobretudo no sacrifício eucarístico, se atua a obra da nossa redenção, contribui em sumo grau para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja” (CIC, parágrafo 1068).

 

Assim, os cuidados com a Sagrada Liturgia são de extrema importância nas celebrações, pois é por meio dela que a vivência do mistério se realiza, é por meio da ação da Igreja e da pessoa de Cristo no sacerdote que se atualiza o mistério Pascal de Nosso Salvador e Redentor. “Com razão, se considera a liturgia como o exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo. Nela, mediante sinais sensíveis e no modo próprio de cada qual, significa-se e realiza-se a santificação dos homens e é exercido o culto público integral pelo corpo Místico de Jesus Cristo, isto é, pela cabeça e pelos membros. Portanto, qualquer celebração litúrgica, enquanto obra de Cristo Sacerdote e do seu corpo que é a 
Igreja, é ação sagrada por excelência e nenhuma outra ação da Igreja a iguala em eficácia com o mesmo título e no mesmo grau” (Sacrosanctum Concilium, parágrafo 7). 

 

O que deve estar claro para os fiéis e os presbíteros é que a celebração litúrgica é propriedade da Igreja, e ela confia aos seus filhos, a missão de transmitir de forma clara e autêntica o mistério da fé. A celebração do Deus que vem ao encontro do seu povo e o povo que caminha em direção à Deus, exige postura e responsabilidade para que Cristo seja o centro de toda ação litúrgica.

 

Na Santa Missa, a presidência deve ser exercida com a autoridade do Cristo cabeça que age na pessoa do sacerdote, e mesmo que a ausência dos fiéis no templo religioso seja causa de angústia ou desconforto; a consciência dos presbíteros e sua espiritualidade devem estar em plena comunhão com o povo de Deus que reza e os acompanham pelas mídias. Dando mais ênfase, o desejo do Senhor é que o Evangelho alcance todas as criaturas (Mc 16, 15) e que o pão da vida alimente a todos os que tem fome (Jo 6, 35). Os cânticos, além de preparados com antecedência, devem ser sincronizados com o tempo litúrgico e com a realidade do mistério que se celebra. As leituras, a salmodia e a Proclamação do Evangelho devem ser proclamados de forma que leve os ouvintes a contemplar o que se recorda e se atualiza. As Intenções da comunidade devem estar em sintonia com a realidade da Igreja e da mesma comunidade. Os que transmitem, bem como todos que do mistério participam, devem ter a consciência de que estão celebrando e transmitindo o momento ápice da vida cristã, a Santa Missa. Não faz sentido o cristão estar presente na celebração litúrgica do mistério como se estivesse apenas realizando um “trabalho” de transmitir uma celebração online; precisa-se de responsabilidade com o ofício, mas, sobretudo, de vivência e espiritualidade orante. Sendo assim, o mistério, os ritos, a simbologia e a excelência da liturgia não deixarão de fazer sentido na vida daqueles que se empenham em viver e contemplar o mistério da fé cristã.

 

Para concluir, fica evidente que, mesmo neste tempo difícil e de grande aprendizado para os que se sensibilizaram, Deus não deixa de falar ao seu povo e de estar presente com sua misericórdia. Este tempo longe da vivência física e fraterna da comunidade cristã em torno dos sacramentos, deve despertar uma consciência maior sobre o valor do mesmo na vida cristã. Deus confiou os sacramentos a sua Igreja para que todo aquele que tem fé possa receber em sua vida estes sinais visíveis da graça e misericórdia de Deus. Agora, cabe ao cristão, refletir o seu lugar e papel no mundo, principalmente, enquanto filho de Deus e necessitado de seu amor divinal. Não é momento para afastar-se de Deus e da Igreja devido ao distanciamento, e sim, encontrar em diversos âmbitos da vida, aonde Deus fala e da forma que fala.

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