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CUIDAI-VOS UNS DOS OUTROS!

Por Seminarista Paulo Junior Camilette

 

 

Nestes tempos de pandemia, misturado à dor pelo enlutamento e à tristeza de estarmos longe uns dos outros, vou aprendendo o valor do tempo de Deus em minha vida. Meu tempo com Deus, tempo da presença de Deus na minha vida, jorra das mãos daqueles que cuidam sem esperar receber nada em troca, muitas vezes recebem ingratidão e incompreensão. Observar minha mãe a cuidar da minha avó enferma, me faz pensar também em todos os profissionais que realizam esse serviço, cuidar! 

 

Seja no recolhimento do lixo das cidades, dos hospitais, seja na organização dos materiais cirúrgicos ou de limpeza, seja na entrega de nossas mercadorias, na produção de alimentos, em todos os lugares há pequenos atos de amor, aquele amor que nos ensina Jesus, que está ao alcance das mãos.

 

Quando Pedro ergueu sua mão contra os soldados do Templo que iriam prender Jesus, a resposta Daquele que é a Vida foi de se colocar entre os dois[1], é preciso, mesmo em momentos que as circunstâncias nos violentem, colocar ao meio mais vida, fazer a Vida voltar ao centro, Aquela vida que é Jesus[2].

 

Porém, Jesus não enxerga a vida com romantismo. Ele não caberia nas novelas, não é o vilão que se dá bem no final, não caberia nos filmes, pois não é o mocinho que resolve tudo no final. Jesus cuida da vida das pessoas na realidade do cotidiano. Ele sabe que há dias que acordamos com dores de cabeça, com dores no corpo. Pode acontecer de o filho, primo, irmão de alguém passar mal e se ter que ir para o hospital. A vida não é um desenho animado onde tudo é piada, ela é frágil e pode ser perdida pela indiferença ou por um pequeno vírus, ambos letais.

 

Jesus toca nas feridas, Ele se abaixa ao encontro de quem foi esquecido[3], ele põe sua roupa de serviço[4]. Ele tem sede, sente fome, chora e se comove com a morte de Lázaro[5]. Sorri, brinca com seus amigos, mas também sente a dor de quem está com Ele. Estar com Jesus não é encontrar a felicidade na próxima esquina, não é resolver minha vida como em passe de mágica, não é mudar da noite para o dia, não é ver milagres que contrariam a natureza e a ciência. Jesus ensina, que estar com Ele, é ter sempre esperança[6].

 

Na vida real as contas continuarão a chegar, poderemos ficar doentes, haverá dias de tristeza, o marido ou a esposa não irá resolver os problemas uns dos outros, podem e devem se ajudar, mas não darão sentido à vida um do outro. O amigo não vai fazer a dor parar, mesmo que, devido a amizade, permaneça ao nosso lado. As autoridades não irão salvar o mundo ou nos darem segurança, mesmo que seja seu dever lutar por isso.

 

Nos esquecemos que no final só Jesus venceu a morte, só a sua voz continua pelos séculos a curar, só seu amor curou de dentro para fora, seus passos foram os únicos que permaneceram quando ninguém mais ficou. Ele é a Esperança que não decepciona, o Dia que não tem fim[7], pois não nos esquece jamais, não nos faz promessas falsas, nos salva de nós mesmos, do nosso egoísmo, das nossas dores, não por magia, porém, porque Ele nos escolhe todos os dias.

 

Ele não pediu pão no deserto, não pediu para que a vontade de Deus mudasse, não desceu da cruz, não curou suas próprias feridas, aceitou que o Amor de seu Pai não o abandonaria, que viver segundo a Verdade de seu Pai seria o suficiente. Sua fé sempre foi no Deus Vivo e dos vivos, o Deus que escuta a dor e o clamor do seu povo e o resgata. Nossa esperança é que Deus sempre nos resgatará, mesmo que ninguém mais o faça.

 

Vejo Deus cuidar da minha avó todos os dias, vejo Deus na presença dos meus amigos, a me retirar do meu egoísmo. O vejo no Papa, que nos une na diferença. O vejo nos nossos padres que, em suas humanidades, me ensinam a ser um homem melhor. O vejo na Igreja, que me ergue em minhas quedas. Vejo Deus em Deus quando ponho minha confiança Nele e não desejo ser seu professor, mas aceito que Ele, a Trindade Santa, ordene a minha vida. "O meu socorro virá do Senhor, criador do céu e da terra"[8] e de ninguém mais.

 

[1] Jo 18, 10-12.

[2] Jo 14, 6: “[...] ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’”.

[3] Lc 10, 25-37.

[4] Jo 13, 4.

[5] Jo 11, 17-45.

[6] Rm 5,5.

[7] Os Santos e a liturgia fazem referencia a Jesus como o Dia sem fim. Para melhor entendimento Encíclica Lumen Fidei, Papa Francisco.

[8] Sl 120, 2.

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