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10.05.2018

Abusos Litúrgicos

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia enumera 5 princípios para evitar erros

 

As redes sociais transmitem com extraordinária velocidade imagens de sacerdotes que, em diferentes contextos litúrgicos, usam posturas e comportamentos que não correspondem às orientações da Igreja Católica. Sem julgar as motivações desse agir, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, Dom Armando Bucciol, Bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), diz que estas posturas são expressões de “criatividade selvagem” e que acabam difundindo a imagem de uma liturgia “show”, de baixa ou equívoca coerência com a identidade da liturgia da Igreja.

 

“Estes vídeos não refletem o que acontece na grande maioria das comunidades eclesiais”, defende o religioso.

 

O bispo aponta que é preciso melhorar, sempre e muito, mas defende que não é um “desastre” a vida litúrgica nas igrejas, como pode aparecer pelas imagens veiculadas que tomam uma proporção midiática. Para Dom Armando a grande maioria dos ministros ordenados celebra com fé, competência e espiritualidade. 

 

“Se deslizes superficiais, abusos litúrgicos, expressões banais, às vezes, recebem a honra (ou desonra) da rápida e ambígua difusão mediática, tenho certeza, e experiência, de que as milhares de celebrações que acontecem pelo País são bem preparadas, vividas e alimentam a fé, em Jesus, de tantos irmãos e irmãs”.

 

Os abusos, na avaliação do presidente da Comissão para a Liturgia, não podem ser ignorados e justificados. Eles são fruto de insuficiente ou errada compreensão do que é liturgia e do “papel” do ministro. Frente a este contexto, Dom Armando acha necessário recordar alguns princípios essenciais que deveriam nortear quem preside e quem colabora nas celebrações litúrgicas. Abaixo, o presidente da comissão enumera cinco princípios:

 

1) Antes e acima de tudo, o protagonista (primeiro ator) é Jesus Cristo que, no Espírito Santo, une a sua Igreja na perene louvação ao Pai, em sua entrega por amor. É Ele que deve aparecer e resplandecer, não o “servo”.

 

2) Os “ministros” são só (indignos) “servos”, de Cristo e da Igreja. Ninguém é “dono” nesta delicada e exigente missão, que pede muitas competências e uma verdadeira “vida no Espírito”, isto é, oração – diálogo íntimo e eclesial com o Senhor.

 

3) É preciso adquirir um estilo celebrativo amadurecido, na formação teológica (profissional do ministro) e na experiência de fé, a começar pela iniciação cristã, antes, e pela vivência litúrgica nas casas de formação. A liturgia exige a compreensão do que somos e do que devemos fazer.

 

4) Na liturgia, não é suficiente seguir à risca as rubricas (o que é importante, mas não basta). Pede-se muito mais. Trata-se de compreender e viver “de dentro”, o mistério pascal de Cristo, com todas as consequências que comporta, em nível pessoal e pastoral.

 

5) Quem preside não é um “ator” (ou comediante) que deve embelezar cerimônias para entreter o seu público que, satisfeito pelo espetáculo, bate palmas e…gostou! Nada disso tem a ver com o que celebramos quando anunciamos a morte do Senhor!

 

 

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