28 2101-7603

Home / Destaque

10.10.2017

Entrevista

Padre Helder Salvador revela as dificuldades e alegrias em seu trabalho missionário no Pará

 

 

Neste mês em que a Igreja Católica dedica às missões, o Departamento Diocesano de Comunicação conversou com o Padre Hélder Salvador, que está em missão na Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia, a Igreja-Irmã de nossa Diocese, localizada no estado Pará. Juntamente a Padre Helder estão o Diácono Júlio de Sá e sua esposa Valma Aquino de Sá.

 

Inserido na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, na cidade de Piçarra, o Sacerdote revelou durante a conversa a realidade de muitas Igrejas de nosso país, que por vezes desconhecemos ou não procuramos conhecer. Verdadeiros desafios no processo de disseminação da Palavra de Deus. Desafios que motivam e reavivam a fé. Confira a entrevista:

 

 

Departamento Diocesano de Comunicação: Padre Helder, para quem desconhece o trabalho que o senhor está realizando, conte-nos como foi o início de sua missão no estado do Pará.

 

Padre Helder Salvador: Chegamos na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, município de Piçarra (PA), no dia 27/08/2016, depois de participar do Curso de Missão na Amazônia durante um mês, em Brasília, no CCM. O tempo passa e passa rápido demais. Já faz mais de um ano que aqui estamos. Desde que chegamos a Piçarra sempre buscou-se assumir a missão, dando o melhor de cada um, como irmãos entre os irmãos. Dar de nossa pobreza. No momento que a Igreja de Cachoeiro de Itapemirim nos enviou para trabalhar na Igreja irmã de Conceição do Araguaia, o sudoeste do Pará se tornou o nosso lugar, esta se tornou nossa Igreja. Piçarra nossa casa.

 

 

DDC: O que o senhor pode nos contar sobre as primeiras impressões em nossa Igreja-Irmã?

 

Padre Helder: A Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, onde estamos exercendo nossa missão, está organizada em cinco regionais pastorais, com 28 comunidades e uma área de assentamento que necessita de uma comunidade, das quais três não possuem templos: são as fazendas Eldorado e Itaipavas e o assentamento de Castanhal. Quatro comunidades com templo de madeira: São Paulo Apóstolo - Fuzil, Santíssima Trindade - Firmeza, Imaculada Conceição -Trezentos e Bom Jesus da Lapa - Lote 09. As outras possuem templo de alvenaria e dessas somente cinco possuem capela com o Santíssimo Sacramento.

 

Encontramos as comunidades com os materiais litúrgicos necessários para celebração, porém com muitas dificuldades, principalmente quanto a preparação da liturgia, escolha de cantos e arrumação dos templos, pois a maioria são parecidos com igrejas evangélicas, sem cruz e nem imagem do santo padroeiro. Usam ainda o jornalzinho para as celebrações, não existem ministros da palavra, apenas animadores e/ou Dirigentes. Também dificuldades quanto a catequese de iniciação cristã e adulta (muitas comunidades sem catequese por falta de catequista). Descaso na preparação dos Sacramentos, pessoas que recebiam sem preparação e sem nunca participar da comunidade. Muitos batizados, mas igrejas vazias.

 

Encontramos também muitas pessoas que participam da comunidade, são atuantes, mas sem os sacramentos, principalmente o Crisma. Pessoas há muito tempo como “enfrentantes" de comunidade, coordenadores. Festejos com bebidas alcoólicas, preocupação em arrecadar dinheiro e muito pouco com a espiritualidade.

 

Falando em espiritualidade encontramos uma cultura marcada pela luta da terra, e aqueles que passaram bem antes tiveram muita essa preocupação e não deram importância no anuncio da palavra ao povo, a fé foi colocada em segundo plano, ou seja, se preocuparam com as questões sociais e negligenciaram as questões da fé e doutrinaria. A Pastoral do Dízimo bem tímida, não sustenta a necessidade pastoral da paróquia. Encontramos vestígios da Pastoral da Criança e Familiar, “tinha”, como costumam dizer. Saudosismo bem aflorado das Santas Missões Populares. Pouca preocupação com a “Casa Comum”, desmatamento completo, muito veneno nos pastos, consequência falta de água e plantas morrendo.

 

 

DDC: Com tantas dificuldades, como foi o processo de evangelização durante este período?

 

Padre Helder: Transcorrido um ano penso ser possível olhar o percurso feito de forma positiva. Quando viemos não recebemos um relatório detalhado descrevendo o que iríamos viver. Portanto, o primeiro desafio, para nós, está sendo conhecer a realidade sul paraense.

 

Logo que chegamos participamos do CPD, onde todos participam: padres, religiosos (as) e leigos consagrados, foi um momento de formação, comunhão e espiritualidade. Ficamos impressionados com a participação maciça, apesar da distância, onde fomos muito bem acolhidos por todos.

 

Também recebemos muitas informações que abriram caminhos, indicaram interpretações, apontaram aspectos positivos e negativos. Mas cremos que para conhecer bem uma realidade e depois tomar decisões, é preciso a proximidade e a convivência. Procuramos fazer isto participando, o máximo possível, em todos os espaços solicitados. Depois de tudo que temos visto, ouvido e convivido podemos dizer que já não nos sentimos como alguém que fala de fora. São muitas as fadigas, mas são muitas as alegrias, esta é a razão da existência da Igreja. Quando Jesus fala das exigências do seguimento, São Pedro pergunta: “Olha, nós deixamos tudo e te seguimos?” Recebeu esta resposta: “Em verdade vos digo: todo aquele que deixa casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos e campos, por causa de mim e do evangelho, recebe cem vezes mais agora, durante esta vida – casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições – e, no futuro, vida eterna” (Mc 10, 28-30). Assim nos sentimos e estas são as alegrias.

 

 

DDC: Como tem sido a interação com as comunidades da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe?

 

Padre Helder: Conhecendo as comunidades e ouvindo seus anseios, percebeu-se que além das missões as pessoas queriam encontros de espiritualidade. Foi proposto então, durante a Assembleia Paroquial, encontros de espiritualidade nos regionais. E a partir desse encontro, mais quatro encontros aconteceram com a comunidade. A participação foi positiva e proveitosa. Logo no início tivemos a celebração do Sacramento do Crisma com a presença do Bispo Diocesano Dom Dominique You.

 

Um fato interessante neste dia, foi que cada crismando escreveu para o bispo o compromisso que eles assumiriam perante a comunidade. O bispo leu cada cartinha antes da celebração e esse compromisso fica escrito na lembrancinha deles para que se lembrem daquilo no qual se comprometeram.

 

Em novembro o bispo diocesano Dom Dominique, como celebração do Ano da Misericórdia, abriu a porta da misericórdia por um mês na igreja matriz. A paróquia não havia feito nada a esse respeito e foi um momento gratificante e de muito fervor. Para integração e participação da juventude diocesana foi feito o “I Acampamento para os Jovens”, com participação de muitos jovens de nossa paróquia.

 

 

Padre Helder nos contou muitas coisas e, devido ao conteúdo extenso, dividimos a entrevista em duas partes. Confira na próxima semana a parte final da entrevista com Padre Helder Salvador.

 

 

 

11/10/2017 - Margareth

Esse é pe Helder: desbravador, corajoso e com firmes propósitos. A missão de Jesus testemunhada no dia a dia da vida. Parabéns.


10/10/2017 - Aldair Pias si Lopes

Parabéns PE Hélder, Diácono Júlio e esposa Valma por tão belíssima e importante missão na Diocese do Pará. Que Jesus abençoe a todos e que Sta Terezinha interceda por vocês em tão preciosa missão. Abraços.


Informativo

Cadastre seu e-mail e receba informações mensais da Diocese.


28 2101-7603

diocese@diocesecachoeiro.org.br

Google Play

Rua Costa Pereira, 41 - Centro

CEP: 29.300-090 - Cachoeiro de Itapemirim - ES

Diocese de Cachoeiro de Itapemirim

 

© 2016 Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Todos os direitos reservados.