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FÉ E POLÍTICA: PARA BUSCA DO BEM COM

Por Seminarista Fernando Acácio de Oliveira

 

 

Refletir as consequências humanas de muitas decisões políticas-econômicas inumanas, analisá-las e levá-las em conta são condições necessárias para qualquer vivência verdadeiramente digna de ser vivida na relação entre fé e política. Porque a lógica do poder do mais forte, e não o reconhecimento do outro, para as relações entre os povos? Porque tanta competitividade entre as pessoas, negando a humanidade do outro? Questionamentos que exigem a implicação de todos.

 

Para todo cristão, o campo de atuação seja a fábrica, a rua, o comércio, a universidade é também uma atuação política. Aí ele é chamado a ser “o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5,13-14). A política sob este ponto de vista torna-se a arte de buscar o bem comum, isto é, o respeito pela dignidade humana e satisfação de suas necessidades básicas e fundamentais: habitação, educação, saúde, trabalho, segurança e alimentação. O Catecismo da Igreja Católica expressa com clareza o papel do cidadão, especialmente como cristão, enquanto membro de uma sociedade. Vemos no parágrafo 1910 que “se cada comunidade humana possui um bem comum que lhe permite reconhecer-se como tal, é na comunidade política que encontramos sua realização mais completa. Cabe ao Estado defender e promover o bem comum da sociedade civil, dos cidadãos e dos organismos intermediários”.

 

Segundo o Compêndio de Doutrina Social da Igreja, a Igreja cumpre duas funções: a de anúncio e a de denúncia. Anúncio do que a Igreja tem de próprio uma visão global do homem e da humanidade, e denúncia frente as injustiças” (cf. nº 81). Um “Nota Doutrinal” da Congregação para Doutrina da Fé, assinado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger em 2002, sobre a atuação dos leigos católicos na política, ensina precisamente que “não pode haver na sua vida dois caminhos paralelos: de um lado, a chamada vida espiritual, com os seus valores e exigências, e, do outro, a chamada vida secular, ou seja, a vida de família, de trabalho, das relações sociais, do empenho político e da cultura”. O Papa Francisco respondendo à pergunta de um jovem junto ao grupo de estudantes do Colégio Jesuíta da Itália, durante um encontro em junho de 2013, o Santo Padre afirmou que “temos que nos envolver na política, porque ela é uma das formas mais altas de caridade”. Para o Pontífice, o fiel não pode se fazer de Pilatos e lavar as mãos, pois “é fácil colocar a culpa nos outros, mas e eu, o que faço?”

 

Neste sentido, a Igreja considera que para consolidar a democracia representativa, garantindo a governabilidade, é preciso verificar também a composição do Congresso Nacional e as alianças que permitam concretizar os projetos governamentais. O pensamento político da Igreja é sempre refletido, ao contexto contemporâneo do Brasil naquilo que compete a atuação dos leigos na política. Esse envolvimento é tido com uma mediação social necessária para promover o bem comum. Partindo da concepção aristotélica de que a pessoa humana é, por natureza, um ser político, vemos por exemplo, a CNBB sempre destacando que toda ação ou omissão é uma atitude política e que dela depende a vida dos cidadãos.

 

Que possamos ancorados em nossa fé e nos valores que nos tornam seres humanos éticos, sermos mais comprometidos com nossa sociedade que se diz civilizada politicamente, pois quando se fala que pessoa civilizada é pessoa de valor, é justamente por que esta segue as regras de uma boa conduta aceitas na sociedade onde ela vive. Em outras palavras, a pessoa cristã de valor é vista como uma pessoa educada e de bom caráter.

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