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EXPERIMENTAR E ANUNCIAR O ESPÍRITO

Por Seminarista Felipe Gomes Scarpatti

 

 

Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou

batizar em água disse-me: “Sobre quem vires descer e

repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo”.

(Jo 1, 33).

 

A estas palavras, acolhemos que toda missão de Jesus Cristo foi autenticada pela força e experiência profunda do Espírito. Não falamos de uma corrente limitada, porém entende-se que ação do Espírito de Deus em Jesus o ungiu para que pudesse servir e anunciar este mesmo Espírito. Segundo José Bortollini (1994), “Tudo que Jesus vai fazer, será sob a ação do Espírito”. Nesta colocação entendemos que todo ser humano é também um ser fundamentalmente espiritual.  Assim compreende-se que o Espírito é a dimensão de qualidade mais profunda que o ser humano tem, sem qual não seria pessoa humana.

 

No processo de mergulhar mais profundamente nos mistérios de Deus, somos chamados a fazer a experiência do Santo Espírito através do batismo, assim como fez o Messias no rio Jordão. Tal experiência que fará o Espírito pousar e permanecer em nós. O papa Leão XIII confidencia que acrescente-se que a este Espírito se dá o apelativo de Santo, também porque, sendo o primeiro e eterno Amor, nos move e excita a santidade, que em resumo não é senão o Amor de Deus.

 

Nossa caminhada se anima com a presença fervorosa do Divino Espírito, nos aquece o coração ao fazer a experiência de aprofundar em suas águas e saborear o amor único de Deus Pai.  De fato se faz necessário a fidelidade ao Evangelho, pois com um seguimento generoso, inculturamos não de forma superficial suas palavras, mas transformamos em audácias espirituais. Segundo Karl Rahner (1987), na experiência de são Paulo a terceira pessoa da Trindade é uma grandeza unitária, na qual o espírito pessoal trinitário de Deus é o elemento central e fundamental, do qual deriva todos os matizes desse conceito que é a santificação do Homem.

 

Ao compreender o Espírito que pousa e permanece no Homem, entendemos também que Ele nos impulsiona ao serviço na sociedade em que vivemos e construímos. Seguindo este raciocínio, o Santo Espírito é fonte de interioridade profunda, tornando a liberdade – que significa a interioridade humana, sólida e calorosa o bastante para que possa comunicar-se com as outras liberdades.

 

O Espírito Santo personifica a lei que dá a vida em Jesus Cristo (Rm 8,2). Segundo o texto bíblico constitui Ele o principio da identidade filial cristã. Faz nascer de Deus, como uma semente divina, santificando e salvando o Homem. Assim como o efeito da missão do Filho consiste em conduzir ao Pai, o efeito do Espírito Santo está em conduzir ao Filho. Segundo Congar (1932), O Espírito nos faz viver filialmente no seguimento do Filho encarnado, impedindo o esquecimento da simplicidade, da humildade, da coragem profética, da mentalidade de serviço, da relação intima com o Pai que o caracterizaram.      

 

A moção do Espírito nas inteligências e corações dos fiéis assim como todo o ato salutar que se faz pela sua força é considerado ordinariamente de graça atual. Na encíclica Mystici Corporis, entendemos que toda vida espiritual dos fiéis e todo progresso na virtude é atribuído unicamente a ação do Espírito Santo. Sem dúvida é assumir pessoalmente o dom da vida cristã e realizar o conteúdo da fé.

 

Realizar os dons ocultos do Espírito Santo é de tal maneira buscar viver a divina graça que opera por congruentes virtudes, fazendo a alma, potência humana, sentir necessidade daqueles sete dons, que são próprios do Espírito Santo. Segundo a Divinum Illud Munus – o Espírito Santo nos move e realça a desejar e conseguir as bem-aventuranças evangélicas, que são como flores abertas na primavera da eterna bem-aventurança.

 

O Divino Espírito age em nós e introduz em nossos corações o anseio de agir, movidos pelos dons, a buscar a justiça e a fraternidade. Segundo Congar (1932), do pentecostes nasce o homem novo, o qual, voltando para si mesmo em consciência e liberdade, exterioriza-se com proporcional segurança e abertura no mundo em que vive.

 

Anunciar o Espírito é cada dia refletir sua pousada e permanência, permitindo que livre das coações exteriores, construa raízes na sociedade e na história, sem alienações. Pois a interiorização revigorante do Homem compreende o movimento dialético entre personificação e socialização, segundo Congar (1932).

 

Navegando nesta profunda reflexão, comprometidos em anunciar suas obras e dons, cantaremos de todo coração – as maravilhas realizadas pelo Senhor (Sl 9,2). O Espírito Santo nos alimenta, para que fortalecidos não façamos confusão de uma vida espiritual com alguns momentos religiosos, que proporcionam algum alívio, mas não alimentam o encontro com os outros, com o mundo, a paixão pela evangelização. (EG 78).

 

Assim, rezemos para que o Santo Espírito – visite nossa alma e encha nossos corações com os dons celestiais. Que ilumina nossa mente e nossa fraqueza encoraje. Ao Pai e ao Filho conheçamos e fazei-nos firmes crer. Amém!

 

Concluímos com o texto do profeta Isaías, proclamada por Jesus Cristo e também nos inspire a experimentar e anunciar o Espírito:

 

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor”. (Is 61,1s).

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