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TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E AS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE

Por Seminarista Wosley Pansini

 

 

A Província Eclesiástica do Estado do Espírito Santo deu um grande passo no seu “Caminho Pastoral”. As quatro Dioceses capixabas estiveram reunidas no 11º Encontro Estadual das CEB´s – Comunidades Eclesiais de Bases, com o tema: CEB’s e os desafios do mundo urbano. O texto Base em preparação para o Encontro Nacional de 2018, nos recorda que as “CEB’s são uma forma de vivência comunitária, de inserção na sociedade, de exercícios do profetismo e de compromisso com a transformação de realidade, sob a luz do Evangelho” (cf. Doc. 105, nº 146). Tudo isso acontece em sintonia com a paróquia local, a pastoral diocesana e em comunhão com os pastores.

 

O caminho da reflexão passou por temas próprios de nosso tempo, como os desafios pastorais e apelos proféticos refletidos em todo Brasil: Moradia / Mobilidade / Violência / Meio ambiente e sustentabilidade / Trabalho / Saúde, / Educação / Arte, cultura, esporte e lazer / Tecnologias de Informação e Comunicação / Afetividade e/sexualidade. Grande é a preocupação de nossas lideranças capixabas. Unidas à Voz profética da Igreja que tem buscado compreender e lutar para que a vida e dignidade humana possam acontecer com caridade, fraternidade, comunhão e participação dos cidadãos na vida e na promoção de um mundo justo, solidário e ético.

 

Uma das Oficinas trabalhadas, e que trago como reflexão, foi sobre o tema Tecnologias de Informação e Comunicação.  Uma coisa é fato: a tecnologia chegou e está no meio de nós. Esse processo é irreversível. Também é fato que veio para contribuir para o desenvolvimento humano, pastoral e comunitário. A Igreja acolhe com otimismo esse tempo, inspira-nos a fazer uso, da melhor forma possível, para que o Evangelho possa alcançar ainda mais nossas realidades e nosso povo por meio deste instrumento. É mais um instrumento que está também a serviço da Evangelização. Uma reflexão importante foi que, nossas comunidades - representadas pelos seus delegados - entenderam e concluíram que a pergunta a respeito da tecnologia mudou: não mais perguntamos sobre se devemos utilizar as novas tecnologias de Comunicação, mas como devemos utilizá-las.

 

A comunicação na década de 1940 com o Rádio e 1970 com a TV, era de um padrão de difusão de 1 – N, ou seja, era de um único canal de informação para muitos ouvintes – a massa. A partir da década de 1990 houve a chegada da Internet e toda a novidade de envio e recepção de mensagem de textos por computadores. Grande salto acontece no ano de 2000, quando então, com a chegada de celulares e smarthfone, passou-se a produzir informação entre esses novos canais. Entramos em uma “Nova Era” da comunicação, agora de N – N, ou seja, de todos para todos. Neste novo tempo, principalmente os adolescentes e os jovens passam a produzir e promover informação e comunicação. É um fato tão transformador que se pode dizer que uma nova nomenclatura para a comunicação foi adotada. Entramos então na Era da Comunicação Digital, assim chamada no século XXI.

 

Uma das preocupações hoje é com relação à ética na comunicação digital. Especificamente, o agir ético na produção e difusão da notícia e do conhecimento. É entendido que este novo tempo tem transformado as organizações sociais e comunitárias de nossas Comunidades Eclesiais. Introduzindo a utilização de aplicativos e ferramentas tecnológicas que geram otimização de tempo para organizações de reuniões e encontros, introduzem também alterações nas relações sociais de toda uma comunidade, ora aproximadas pela tecnologia, ora podendo ser vítimas de exclusões digitais e crimes virtuais praticados e nem sempre compreendidos nesta dimensão. Outro ganho na reflexão deste tema foi a apresentação para as lideranças presentes na oficina de Tecnologia e Comunicação, do Marco Civil da Internet – a Lei 12.965/2014, que estabelece princípios que garantem a liberdade de expressão e a inviolabilidade da privacidade nas redes digitais, bem como, do direito de acesso à Internet por todos; do direito de participação na vida cultural e na condução dos assuntos públicos, bem como o direito de todo cidadão ter acesso a tecnologia.

 

Fica claro que o interior do Estado do Espírito Santo, ainda está longe de ser contemplado com o acesso à tecnologia de ponta e de qualidade, e que o maior empecilho hoje, está na falta de estruturas que viabilizam a chegada desta tecnologia.  Vale ressaltar que num futuro bem próximo, o sistema de Ensino de Educação a Distância tende a dominar o modelo e correrá o risco de deixar de incluir muitos neste sistema. É necessário que os municípios do Interior do ES se preocupem em ampliar a rede de tecnologia e invistam em estruturas tecnológicas capazes de acolher essa demanda. Outra reflexão importante é quanto ao acesso às mídias digitais. Tanto a transmissão de rádio e TV em tempo real na Web, que demanda uma estrutura de acesso dos usuários em suas casas ou empresas, quanto por aparelhos de celulares que dependem de conexão 3G/4G. Para tanto, é necessário uma internet de Banda Larga de alta qualidade, para que a comunicação, Emissor – Receptor, seja codificada sem distorções de informações ou sem danos na transmissão e na recepção desta informação.  

 

O que o grupo de reflexão pode confirmar na discussão como na iluminação do Texto Base é que: Um dos efeitos das novas tecnologias de informação e comunicação tem sido a diluição das fronteiras entre o mundo rural e o urbano, embora no Brasil a “revolução digital” ainda esteja em geral restrita às capitais e às regiões metropolitanas. O acesso à tecnologia de ponta não é democrático, pois o interior do país e do Estado carece de estrutura que possibilite o acesso aos serviços de banda larga. Por outro lado, segundo o texto base, os equipamentos são caros e os setores economicamente desfavorecidos consomem essa tecnologia de forma subalterna ou através da pirataria. Essa exclusão digital constitui um dos modos perversos da exclusão social no Brasil de hoje.

 

No que tange a ética nesta comunicação N – N está no que também apresenta a Lei quanto à inviolabilidade da intimidade e da vida privada, sua proteção e indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. A exclusão digital está presente nas redes sociais e nas comunicações via WhatsApp entre outros meios digitais constituindo um dos modos perversos da exclusão social no Brasil de hoje. Apresentado também no Texto Base, e entendido como uma preocupação hoje das CEB´s no Espírito Santo, essas novas tecnologias são imprescindíveis na contemporaneidade, porque facilitam a inclusão social e abrem novas possibilidades de comunicação. Mas é preciso estar atento às possibilidades de novos tipos de crimes próprios da era digital: cyber-bullying, divulgação de fotos íntimas como ato de vingança, roubo a contas bancárias, invasão de sites de empresas e de órgãos oficiais.

 

Este encontro que aconteceu na data de 07 a 09 de julho, possibilitou entender que esse tempo da Comunicação Digital está presente na vida das Comunidades Eclesiais de Base, e que tem ajudado as mesmas se organizar e acessar novos lugares, novas pessoas a se lançar nesse meio para fazer acontecer o Reino de Deus. Também se entende como apelo confrontar as atitudes das comunidades no Agir Ético e Cristão quando ao uso dos instrumentos e ferramentas da Comunicação digital. 

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