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BENTO XVI: “ATUALIZANTE” DA SAGRADA ESCRITURA

Por Romário Campos

 

 

Bento XVI é um homem, um padre da Igreja, por quem tenho uma admiração muito grande, enquanto padre, como homem de Deus, como professor e um exemplo de santidade. Não teve a fama e aceitação tão grande como São João Paulo II ou como nosso papa Francisco, mas é um servo de nosso tempo que doou-se tanto a Deus, que como Maria, foi a palavra viva da voz de Nossa Senhora: “Eu sou a serva de Deus; que aconteça comigo o que o senhor acabou de dizer” (Cf. Lc 1, 38).

 

Ele é um homem que sem dúvida é uma atualização da Sagrada Escritura. Por isso tenho a alegria de homenageá-lo com simples e profundas palavras inspiradas na Sagrada Escritura:

 

“Que eu diminua para que ele cresça” (cf. Jo 4, 2): Bento XVI nunca se importou querer ser o centro das atenções, estar na mira dos holofotes. Isso ele não apenas com palavras, mas com seus gestos em todo seu ministério petrino: sua personalidade tímida, com sorriso nos lábios desde que apareceu pela primeira vez como pontífice na sacada basílica vaticana de são Pedro, na tarde do dia 19 de abril de 2005 até o encerramento sua última missa como papa, naquela manhã do dia 13 de fevereiro de 2013, quarta feira de cinzas, na mesma basílica vaticana de são Pedro, quando após ser aplaudido calorosamente por dois minutos interruptos ele apenas disse: “Obrigado, voltemos à oração”. Realmente um homem humilde que não apenas fala de humildade.

 

“Não mereço nem desamarrar as correias de suas sandálias” (Cf. Jo 1,27): Bento XVI humildemente assumiu a barca de Pedro enquanto esta inda chorava a morte de São João Paulo II, a conduziu por quase oito anos e com a mesma humildade de São João Batista deixa a frente de seu ministério.

 

“Se portanto ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos, às coisas lá de cima e não às da terra, por que estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus...” (Cl 3, 1-4): Bento XVI apontava sempre para o alto e como São Paulo apontava para Jesus Cristo, para o alto, enquanto tas pessoas e infelizmente tantos cristãos não olharam para onde ele apontava, preferiam olhar e ficar presos a suas vestes litúrgicas, que ele usava com a espiritualidade que ele sempre teve e que tanto falta à nossa sociedade.

 

“Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer” (cf. Lc 17, 7): Quando diz Bento XVI no discurso em língua latina na Sala del Concistoro, no Palácio Apostólico, numa reunião de manhã cedo, em 11 de Fevereiro de 2013: “Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando”.

 

Combati o bom combate, guardei a fé (cf. 2 Tm 4, 7). O próprio Bento XVI afirmou no meso discurso de renuncia: “Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005...”

 

Fazei isso em memória de mim (cf. Lc 22, 19-20). O amor à eucaristia que Bento XVI testemunhou com sua vida é algo inesquecível, evangélico e catequético: as missas por ele presidias são cheias de espiritualidade: em relação às falas e oração nada mais fez do que o missal pede aos sacerdotes: realizar as orientações que estão em vermelho e rezar o que está escrito da cor preta. A beleza, a hora e a solenidade de uma liturgia presidida por ele não estão exteriormente em suas vestes, como de forma preconceituosa ele foi e ainda é rotulado por tantas pessoas e pior por católicos e católicas (uma vergonha injustificável), mas estavam na fidelidade ás orientações da Igreja, na serenidade ao rezar e pregar, sua concentração e até mesmo suas vestem eram uma oração. Ele assim os ensinou em 2007: ““cultivem, quanto possível, um estilo cristão de vida, através da participação na Santa Missa ainda que sem receber a comunhão, da escuta da palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou um mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos”. Realmente é um homem com tanta espiritualidade que esta transbordava em suas palavras, gestos e vestes.

 

E por fim não há como não se lembrar dessa fala de Jesus e não relacioná-la com Bento XVI: “não vos chamo de servos, mas vos chamo de amigos”. Só são amigos de Jesus e podem se chamar amigos de Bento XVI e seus admiradores aqueles que tiveram uma atitude de fé e filosófica ao meso tempo ao SUPERAREM AS APARÊNCIAS, de ir além daquilo que os olhos podem ver e enxergar Cristo vivo nesse homem de Deus. Mas todos que, de forma pessimista, preconceituosa, cheios de julgamentos automaticamente se fizeram servos (inclusive boa parte de mídia suja, escrupulosa, falsa, podre, verdadeiras “sepulcros caiados”, como diria Jesus), que ficaram na atitude de tê-lo como papa com uma obrigação e não como uma escolha amorosa de Deus para sua Igreja, seu corpo Místico. Muitos falam dos papas com se Bento XVI não tivesse existido ou feito nada: falam de São João Paulo II e do papa Francisco como os tais, o que revolucionaram o mundo, mas se esquecem que esses indiscutivelmente dois grandes papas são profundamente admiradores de Bento XVI e nele se inspiram.

 

Sua renuncia à cátedra de Roma, a representação do Magistério da Igreja, ao ministério petrino de vigário de Cristo, de Sumo Pontífice, nosso pai espiritual, de Santo Padre para se recolher em oração, como aqueles que o amam sabem, o que ele sempre quis fazer. Esse homem teve a humildade ir se apagando. Até sua renuncia foi uma catequese e hoje reza por nós, pelo fato de crer que no coração dele arde a frase São Paulo: “Viver pra mim e cristo, morrer pra mim é ganho” (cf. Fl 1, 21).

 

Penso que a realização desta reflexão sobre Bento XVI é apenas uma mera lembrança em consideração à vida, aos dons e ao ministério do mesmo, em ser um representante de Cristo na Terra. Um homem que com seu jeito tímido, com seu testemunho de fé e com sua indiscutível inteligência foi e é pastor em todo o seu pontificado e contribuiu muito para a “solidificação da fé” do mundo, que foi, como disse o então secretário de Estado Tarcísio Bertone em seu discurso na ultima missa presidida por Bento XVI como papa: ele foi um “testemunho luminosos (...) que levou Deus às pessoas e as pessoas à deus”...

 

Ainda temos a graça de tê-lo vivo entre nós fazendo aquilo que ele nos prometeu quando renunciou: “quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus. e tive mais essa graça de escrever sobre ele. Muitos escreverão após sua morte, porém felizes são aqueles que, repito, tiveram uma atitude de fé e filosófica ao meso tempo ao SUPERAREM AS APARÊNCIAS, de ir além daquilo que os olhos podem ver e enxergar Cristo vivo nesse homem de Deus.

 

Com o tempo busquei ter uma admiração muito grande por Bento XVI, por sua fé, por sua persistência nas muitas dificuldades em sua vida, por seu amor à Cristo e à Igreja Católica, enfim a seu amor pelo mundo, é por esses motivos que tenho o orgulho de sempre lembrar desse grande homem-pastor como aquele que é “apaixonado pela igreja e preocupado com a verdade e a fé”. Ele mesmo disse: “Nós somos Igreja: sejamos Igreja! Sejamos Igreja precisamente nesse abrir-nos e ir além de nós mesmos; sejamos Igreja junto aos outros.” Não há frase que melhor expressa meus sentimentos em relação ao papa emérito Bento XVI do que as palavras do Papa Francisco logo após sua visita ao papa emérito, em Maio de 2013: Não imaginas a humildade e a sabedoria deste homem... Nunca renunciaria ao conselho de uma pessoa deste tipo, seria uma loucura de minha parte!".

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